11/06/2009

  • "Floret silva undique"

Carmina Burana

9/19/2009

Meu Deus!! Meu Deus!!
Matai o Costa.
Ainda ontem nasceu,
Já anda com eles...
À mostra.

(Desabafo de Anarco-sindicalistas da 1ª República criticando a política do Partido de Afonso Costa)

7/10/2009

As Nove Musas

Segundo a mitologia clássica o monte Parnaso, situado a nordeste de Delfos, era a morada das nove Musas, divindades filhas de Urano (Céu) e Gaia (Terra), que tinham o poder de inspirar os artistas, cada uma de acordo com a sua especialidade:

  • TERPSÍCORE - Musa da Dança;
  • CALÍOPE - Musa da Poesia Épica;
  • CLIO - Musa da História;
  • EUTERPE - Musa da Música;
  • TALIA - Musa da Comédia;
  • MELPÔMENE - Musa da Tragédia;
  • ERATO - Musa da Elegia;
  • PLÍMNIA - Musa da Poesia Lírica;
  • URÂNIA - Musa da Astronomia.

O Homem

O Homem
"E naquele momento da sua narração, vendo nascer a aurora, calou-se
discretamente".
2009-07-10

1/29/2009

Ligações Kantianas

"O Direito é irmão da política e ambos dependem da justiça, da tal justiça que implica uma moralidade cívica, uma moral de costumes, uma way of life marcada pelo alterum non laedere, pelo suum cuique tribuere e, acima de tudo pelo honeste vivere, onde o honeste se deve reger pelo imperativo categórico de Kant, não medido pelo meramente útil, mas pelo actua de tal maneira que, da tua conduta, se possa extrair um exemplo de vida."

"sobre o tempo que passa de José Adelino Maltez"

11/10/2008

"A noite domina ainda, mal se descortina um sinal de aurora!"



Lamentação de Hofacker

9/29/2008

Imperativo Categórico

“ Age somente, segundo uma máxima tal, que possas querer ao mesmo tempo que se torne lei universal.”





Emmanuel Kant

4/15/2008

Poesias

Por amar tanto o mundo
É que o sonho me atrai.

Por amar tanto a paz
É que à guerra me dou.

Por amar tanto a vida
É que a morte não temo.

Armindo Rodrigues



Pensamento

“Do rio que tudo arrasta,
Se diz que é violento.
Mas, ninguém diz violentas,
As margens que o comprimem.”

Bertold Brechet


“Notícias do Bloqueio”

Aproveito a tua neutralidade,
o teu rosto oval, a tua beleza clara,
para enviar notícias do bloqueio
aos que no continente esperam ansiosos.

Tu lhes dirás do coração o que sofremos
Nos dias que embranquecem os cabelos...
tu lhes dirás a comoção e as palavras
que prendemos – contrabando – aos teus
cabelos.

Tu lhes dirás o nosso ódio construído,
Sustentando a defesa à nossa volta
- único acolchoado para a noite
florescida de fome e de tristezas.

Tua neutralidade passará
por sobre a barreira alfandegária
e a tua mala levará fotografias,
um mapa, duas cartas, uma lágrima...

Dirás como trabalhamos em silêncio,
como comemos silêncio, bebemos
silêncio, nadamos e morremos
feridos de silêncio duro e violento.

Vai pois e noticia com um archote
Aos que encontrares de fora das muralhas
o mundo em que nos vemos, poesia
massacrada e medos à ilharga.

Vai pois e conta nos jornais diários
ou escreve com ácido nas paredes
o que viste, o que sabes, o que eu disse
entre dois bombardeamentos já esperados.

Mas diz-lhes que se mantém indevassável
o segredo das torres que nos erguem,
e suspensa delas uma flor em lume
grita o seu nome incandescente e puro

Diz-lhes que se resiste na cidade
desfigurada por feridas de granadas
e enquanto a água e os víveres escasseiam
aumenta a raiva
e a esperança reproduz-se.

Egito Gonçalves (1922 – 2001), revista árvore 1952


“ A separação definitiva, sem probabilidade de volta, só se pode levar a cabo num período de serenidade, quando não há no horizonte a menor sombra de traição, quando se pode olhar na alma um do outro como numa água clarificada em que nenhum abalo faça subir à tona velhas escórias de recordações turvas ou de sentimentos impuros.”

A virgem de 18 quilates
Pitigrilli


Oh! Tocadora de harpa, se eu beijasse
Teu gesto sem beijar as tuas mãos...

Fernando Pessoa



Vivi com entusiasmo adolescente a Revolução do 25 de Abril de 1974, hoje 30 anos volvidos, compreendo “os lentos canais em que a civilização se deposita”

Abril de 2004

Liberdade






Aí que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
A brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...


Fernando Pessoa

Ode Triunfal

Á dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical –
Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força –
Canto e canto o presente, e também o passado e o futuro.
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,
Átomos que hão-de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem.
Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,
Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,
Fazendo-me um excesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.

Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!
Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!
Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,
Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento
A todos os perfumes de óleos e calores e carvões
Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!

Faternidade com todas as dinâmicas!
Promíscua fúria de ser parte-agente
Do rodar férreo e cosmopolita
Dos comboios estrénuos.
Da faina transportadora-de-cargas dos navios.
Do giro lúbrico e lento dos guindastes,
Do tumulto disciplinado das fábricas,
E do quase-silêncio ciciante e monótono das correias de transmissão!


Horas europeias, produtoras, entaladas
Entre maquinismos e afazeres úteis!
Grandes cidades paradas nos cafés,
Nos cafés – oásis de inutilidades ruidosas
Onde se cristalizam e se precipitam
Os rumores e os gestos do Útil
E as rodas, e as rodas-dentadas e as chumaceiras do Progressivo!
Nova Minerva sem-alma dos cais e das gares!
Novos entusiasmos de estatura do Momento!
Quilhas de chapas de ferro sorrindo encostadas às docas,
Ou a seco, erguidas, nos planos-inclinados dos portos!
Actividade internacional, transatlântica, Canadian-Pacific!
Luzes e febris perdas de tempo nos bares, nos hotéis,
Nos Longchamps e nos Derbies e nos Ascots,
E Piccadillies e Avenues de l’ Opéra que entram
Pela minh’alma dentro!


Hé-lá as ruas, hé-lá as praças, hé-lá-hô la foule!
Tudo o que passa, tudo o que pára às montras!
Comerciantes; vários; escrocs exageradamente bem-vestidos;
Membros evidentes de clubes aristocráticos;
Esquálidas figuras dúbias; chefes de família vagamente felizes
E paternais até na corrente de oiro que atravessa o colete
De algibeira a algibeira!
Tudo o que passa, tudo o que passa e nunca passa!
Presença demasiadamente acentuada das cocotes
Banalidade interessante (e quem sabe o quê por dentro?)
Das burguesinhas, mãe e filha geralmente,
Que andam na rua com um fim qualquer,
A graça feminil e falsa dos pederastas que passam, lentos;
E toda a gente simplesmente elegante que passeia e se mostra
E afinal tem alma lá dentro!


(Ah, como eu desejaria ser o souteneur disto tudo!)


A maravilhosa beleza das corrupções políticas,
Deliciosos escândalos financeiros e diplomáticos,
Agressões políticas nas ruas,
E de vez em quando o cometa de um regicídio
Que ilumina de Prodígio e Fanfarra os céus
Usuais e lúcidos da Civilização quotidiana!


Notícias desmentidas dos jornais.
Artigos políticos insinceramente sinceros,
Notícias passez à-la-caisse, grandes crimes -
Duas colunas deles passando para a segunda página!
O cheiro fresco a tinta de tipografia!
Os cartazes postos há pouco, molhados!
Vients-de-paraître amarelos como uma cinta branca!
Como eu vos amo a todos, a todos, a todos.
Como eu vos amo de todas as maneiras,
Com os olhos e com os ouvidos e com o olfacto
E como o tacto ( o que palpar-vos representa para mim!)
E com a inteligência como uma antena que fazeis vibrar!
Ah, como todos os meus sentidos têm cio de vós!



Adubos debulhadoras a vapor, progressos da agricultura!
Química agrícola, e o comércio quase uma ciência!
Ó mostruários dos caixeiros-viajantes,
Dos caixeiros-viajantes, cavaleiros-andantes da Indústria,
Prolongamentos humanos das fábricas e dos calmos escritórios!



Õ fazendas nas montras! Ó manequins! Ó últimos figurinos!
Ó artigos inúteis que toda a gente quer comprar!
Olá grandes armazéns com várias secções!
Olá anúncios eléctricos que vêm e estão e desaparecem!
Olá tudo com que hoje se constrói, com que hoje se é diferente de ontem!


Eh cimento armado, beton de cimento, novos processos!
Progressos dos armamentos gloriosamente mortíferos!
Couraças, canhões, metralhadoras, submarinos, aeroplanos!
Amo-vos a todos, a tudo, como a uma fera.
Amo-vos carnívoramente,
Pervertidamente e enroscando a minha vista
Em vós, ó coisas grandes, banais, úteis, inúteis,
Ó coisas todas modernas,
Ó minhas contemporâneas, forma actual e próxima
Do Sistema imediato do Universo!
Nova Revelação metálica e dinâmica de Deus!


Ó fábricas, ó laboratórios, ó music-halls, ó Luna-Parks,
Ó couraçados, ó pontes, ó docas flutuantes -
Na minha mente turbulenta e encandescida
Possuo-vos como a uma mulher bela,
Completamente vos possuo como a uma mulher bela que não se ama,
Que se encontra casualmente e se acha interessantíssima.


Eh-lá-hô fachadas das grandes lojas!
Eh-lá-hô elevadores dos grandes edifícios!
Eh-lá-hô recomposições ministeriais!
Parlamentos, políticas relatores de orçamentos,
Orçamentos falsificados!
(Um orçamento é tão natural como uma árvore
E um parlamento tão belo como uma borboleta).



Eh-lá o interesse por tudo na vida,
Porque tudo é a vida, desde os brilhantes nas montras
Até à noite ponte misteriosa entre os astros
E o mar antigo e solene, lavando as costas
E sendo misericordiosamente o mesmo
Que era quando Platão era realmente Platão
Na sua presença real e na sua carne com a alma dentro,
E falava com Aristóteles, que havia de não ser discípulo dele.



Eu podia morrer triturado por um motor
Com o sentimento de deliciosa entrega duma mulher possuída.
Atirem-me para dentro das fornalhas!
Metam-me debaixo dos comboios!
Espanquem-me a bordo de navios!
Masoquismo através de maquinismos!
Sadismo de não sei quê moderno e eu e barulho!


hup-lá Ho jockey que ganhaste o Derby,
Morder entre dentes o teu cap de duas cores!


(Ser tão alto que não pudesse entrar por nenhuma porta!
Ah, olhar é em mim uma perversão sexual!)

Eh-lá, Eh-lá, Eh-lá, catedrais!
Deixai-me partir a cabeça de encontro às vossas esquinas.


E se levado da rua cheio de sangue
Sem ninguém saber quem eu sou!



Ó tramways, funiculares, metropolitanos,
Roçai-vos por mim até ao espasmo!
Hilla! hilla! hilla-hô!
Dai-me gargalhadas em plena cara,
Ó automóveis apinhados de pândegos e de...,
Ó multidões quotidianas nem alegres nem tristes das ruas,
Rio multicolor anónimo e onde eu me posso banhar como quereria!
Ah, que vidas complexas, que coisas lá pelas casas de tudo isto!
Ah, saber-lhes as vidas a todos, as dificuldades de dinheiro,
As dissensões domésticas, os deboches que não se suspeitam,
Os pensamentos que cada um tem a sós consigo no seu quarto
E os gestos que faz quando ninguém pode ver!
Não saber tudo isto é ignorar tudo, ó raiva,
Ó raiva que como uma febre e um cio e uma fome
Me põe a magro o rosto e me agita às vezes as mãos
Em crispações absurdas em pleno meio das turbas
Nas ruas cheias de encontrões!



Ah, e a gente ordinária e suja, que parece sempre a mesma,
Que emprega palavrões como palavras usuais,
Cujos filhos roubam às portas das mercearias
E cujas filhas aos oito anos –e eu acho isto belo e amo-o! –
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
A gentalha que anda pelos andaimes e que vai para casa
Por vielas quase irreais de estreiteza e podridão.
Maravilhosa gente humana que vive como os cães,
Que está abaixo de todos os sistemas morais.
Para quem nenhuma religião foi feita,
Nenhuma arte criada,
Nenhuma política destinada para eles!
Como eu vos amo a todos, porque sois assim.
Nem imorais de tão baixos que sois, nem bons nem maus.
Inatingíveis por todos os progressos,
Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida!



(Na nora do quintal da minha casa
O burro anda à roda, anda à roda,
E o mistério do mundo é do tamanho disto.
Limpa o suor com o braço, trabalhador descontente.
A luz do sol abafa o silêncio das esferas
E havemos todos de morrer,
Ó pinheirais sombrios ao crepúsculo,
Pinheirais onde a minha infância era outra coisa
Do que eu sou hoje...)



Mas, ah outra vez a raiva mecânica constante!
Outra vez a obsessão movimentada dos ónibus.
E outra vez a fúria de estar indo ao mesmo tempo dentro de todos os comboios
De todas as partes do mundo,
De estar dizendo adeus de bordo de todos os navios,
Que a estas horas estão levantando ferro ou afastando-se das docas.
Ó ferro, ó aço, ó alumínio, ó chapas de ferro ondulado!
Ó cais, ó portos, ó comboios, ó guindastes, ó rebocadores!


Eh-lá grandes desastres de comboios!
Eh-lá desabamentos de galerias de minas!
Eh-lá naufrágios deliciosos dos grandes transatlânticos!
Eh-lá-hô revoluções aqui, ali, acolá,
Alterações de constituições, guerras, tratados, invasões,
Ruído, injustiças, violências, e talvez para breve o fim,
A grande invasão dos bárbaros amarelos pela Europa,
E outro Sol no novo Horizonte!


Que importa tudo isto, mas que importa tudo isto
Ao fúlgido e rubro ruído contemporâneo,
Ao ruído cruel e delicioso da civilização de hoje?
Tudo isso apaga tudo, salvo o Momento,
O Momento de tronco nu e quente como um fogueiro,
O Momento estridentemente ruidoso e mecânico,
O Momento dinâmico passagem de todas as bacantes
Do ferro e do bronze e da bebedeira dos metais.

Eia comboios, eia pontes, eia hotéis à hora do jantar,
Eia aparelhos de todas as espécies, férreos, brutos, mínimos,
Instrumentos de precisão, aparelhos de triturar, de cavar,
Engenhos, brocas, máquinas rotativas!


Eia! eia! eia!
Eia electricidade, nervos doentes da Matéria!
Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do Inconsciente!
Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel, Suez!
Eia todo o passado dentro do presente!
Eia todo o futuro já dentro de nós! eia!
Eia! eia! eia!
Frutos de ferro e útil da árvore-fábrica cosmopolita!
Eia! eia! eia! eia-hô-ô-ô!
Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me.
Engatam-me em todos os comboios.
Içam-me em todos os cais.
Giro dentro das hélices de todos os navios.
Eia! eia-hô! eia!
Eia! sou o calor mecânico e a electricidade!


Eia! e os rails e as casas da máquinas e a Europa!
Eia a hurrah por mim-tudo e tudo, máquinas a trabalhar, eia!


Galgar com tudo por cima de tudo! Hup-lá!


Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-la!
Hé-la! He-hô! H-o-o-o-o-o!
Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!



Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!



Londres



Álvaro de campos

Ao meu belo pai ex-emigrante

Pai:
As maternas palavras de signos
Vivem e revivem no meu sangue
E pacientes esperam ainda a época de colheita
Enquanto soltas já são as tuas sentimentais
Sementes de emigrante português
Espezinhadas no passo de marcha
Das patrulhas de sovacos suando
As coronhas de pesadelo

E na minha rude e grata
Sinceridade não esqueço
meu antigo português puro
que me geraste no ventre de uma tombasana
eu mais um novo moçambicano
semiclaro para não ser igual a um branco qualquer
e seminegro para jamais renegar
um glóbulo que seja dos Zambezes do meu sangue

E agora
Par além do meu antigo amigo Jimmy Durante a cantar
E a rir-se sem nenhuma alegria na voz roufenha
Subconsciência dos porquês de Buster Keaton sorumbático
Achando que não valia a pena fazer cara alegre
E uma Algarve de amendoeiras florindo na outra costa
Ante os meus sócios Bucha e Estica no “écran” todo branco
E para sempre um zinco tap – tap de cacimba no chão
E minha mãe agonizando na esteira em Michafutene
Enquanto tua voz serena profecia paternal: - “Zé:
Quando eu fechar os olhos não terás mais ninguém”.

Oh, Pai:
Juro que em mim ficaram laivos
Do luso - arábico Algezur da tua infância
Mas amar por amor só amo
E somente posso e devo amar
Esta minha bela e única nação do Mundo
Onde minha mãe nasceu e me gerou
E contigo comungou a terra, meu Pai.
E onde ibéricas heranças de fados e broas
Se africanizaram para a eternidade nas minhas veias
E teu sangue se moçambicanizou nos torrões
Do sepultura de velho emirante numa cama de hospital
Colono tão pobre como desembarcaste em África
Meu belo pai ex-português.


José Craveirinha ( 1923 – 2003)no livro “Karingana ua Karingana” 1974 ao seu Pai

Interpretação

Interpretar, em matéria de lei, quer dizer, não só descobrir o sentido que está por detrás da expressão, como também, dentro das várias significações que estão cobertas pela expressão, eleger a verdadeira e decisiva.
É fixar o seu sentido e alcance com que ela deve valer, ou seja, determinar o seu sentido e alcance decisivo, por a claro o verdadeiro sentido e alcance da lei.

11/16/2007

De brevitate vitae
**************************************************************************
Gaudeamus igitur
iuvenes dum sumus,
post iucundam iuventutem,
post molestam senectutem,
nos habebit humus,
*********************
Ubi sunt qui ante nos
in mundo fuere?
vadite ad superos,
transite ad inferos,
ubi iam fuere.
*******************
Vivat Academia,
vivat professores,
vivat membrum quodlibet,
vivat membra quodlibet,
semper sint in flore.
**********************
Vivat nostra brevis est, breve finietur.
venit mors velociter,
rapit nos atrociter,
nemini parcetur.
******************
Vivat nostra societas!
vivant studiosi!
crescat una veritas,
floreat fraternitas,
patriae prosperitas,
********************
Vivat et Republica,
et qui illam regit.
vivat nostra civitas,
maecenatum charitas,
quae nos hic protegit.
*********************
Pereat tristitia,
pereant osores,
pereat diabulus,
quivis antiburschius,
atque irrisores,
********************
Alma Mater floreat
quae nos educavit,
caros et conmilitones
dissitas in regiones
sparsos congregavit.
*******************
Letra: Manuscrito em Latim de 1267 ( Biblioteca Nacional de Paris)
Musica: Johann Cristian Gruntaus (1717 e reescrita em 1781 por Cristian Wilhelm Kindleben)

10/31/2007

Dia Mundial da Poupança

  1. Não gastarás mais dinheiro do que aquele que recebes;
  2. Gastarás dinheiro tendo em vista o teu futuro assim como o teu presente;
  3. Lembrar-te-às que os juros compostos não são reversíveis;
  4. Não coleccionarás cartões de crédito nem os utilizarás descuidadamente;
  5. Honrarás sempre as tuas dívidas e os teus compromissos;
  6. Desenvolverás um plano de gastos e utilizarás dinheiro em poupanças ou investimentos;
  7. Procurarás altas taxas de juro e bons rendimentos;
  8. Viverás com moderação e não adorarás o deus do materialismo;
  9. Diversificarás os teus investimentos;
  10. Procurarás educação financeira para que não sejas enganado por ninguém.

O Mito de Orpheu




Segundo a lenda, Orpheu era filho de uma musa e do Rei da Trácia, que se celebrizou pela magia do seu canto e da sua música, tndo sido o inventor da Lira. Com esta magia movia os homens, os animais selvagens e as próprias árvores.


Quando regressou da aventura dos Argonautas, casou com a ninfa Eurídice que, no próprio dia do casamento morreu ao ser picada por uma serpente.Orpheu inconsolável, procurou-a no Hades e vencendo pela música os vários obstáculos, conseguiu comover os deuses infernais, suspender os suplícios dos condenados como os e Sísifo, Danaides, Tântalo, etc. e obter o privilégio de trazer de novo ao mundo dos vivos a sua amada Eurídice, desde que este não olhasse para ela antes de atingirem o mundo da luz.


Orpheu, porém, tomado de ansiedade, quebra o juramento e olhando para Eurídice perdeu-a para sempre.


Este mito ficou ligado à música, à poesia, mas também aos "mistérios órficos", é dos mais fascinantes da cultura clássica, é inspirador de diversas criações artísticas dos tempos modernos, que vão desde a música como Offenbach, Gluck, Liszt, Stravinsky, ao cinema, à pintura e à poesia.

10/30/2007

Os 12 Trabalhos Hércules



  1. Matou o Leão de Nemeia;


  2. Matou a Hidra de Lerna;


  3. Capturou o Javali de Erimanto;


  4. Capturou a Corça de Cerineia;


  5. Matou os Pássaros do Lago Estínfalo;


  6. Limpou os Estábulos do Rei Augias;


  7. Capturou o Minotauro;


  8. Domou as Éguas de Diomedes, a quem matou;


  9. Conquistou o Cinto de Hipólita, Raínha das Amazonas;


  10. Recolheu os Rebanhos de Gérion;


  11. Capturou o cão Cérebro, guarda dos Infernos;


  12. Colheu as Maças de Ouro do Jardim das Hespérides.

10/18/2007

Martin Luther King









Martin Luther King – 28 de Agosto de 1963

“ I have a dream”



“ I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed:

‘We hold these truths to be selfevident, that all men are created equal.’ I have a dream that my

four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their

skin but by the content of their character.”

Conselhos para aproveitar bem o campo e a montanha

Equipamento: - Leva equipagem adequada ao clima. Na mochila roupa de abrigo impermeável, alimentos energéticos como frutos secos, chocolate e água suficiente. Uma navalho multiusos, uma caixa de primeiros socorros e fósforos impermeáveis.



Segurança: - Não esqueças o Telemóvel cargado e um bom mapa da zona. Em caso de emergência um apito, uma bússola ou um pequeno espelho para fazer sinais podem ser muito úteis.



Acampar: - Procura com tempo um sítio adequado a fim de que possas perceber se existem perigos. Nas zonas de montanha evita a margem dos cursos de água, que em caso de tempestade podem sair do leito.



Acender lume: - Recolhe em lugares secos, material seco de diferentes tamanhos para acender o fogo e mantê-lo. Protege o fogo para evitar incêndios e apaga-lo cuidadosamente quando abandonares o lugar.



Em caso de tempestade: - Afasta-te dos lugares altos e dos objectos metálicos. Procura refúgio nas covas naturais ou entre as rochas. Evita árvores isoladas.



Em caso de nevoeiro: - Com visibilidade deficiente, não te mexas, procura um refúgio e pede ajuda. Se decidires caminhar fá-lo em caminhos sinalizados e segue os sinais.

9/21/2007

Brocardos latinos

Brocardos latinos que confirmam a intemporalidade do espírito humano.

1º "Honeste vivere, alterum non laedere, suum cuique tribuere"
(viver honestamente, não prejudicar ninguém, atribuir a cada um o que é seu)

2º "Quousque tandem Catilina, abutere patientia nostra?"
(Até quando, Catilina abusarás da nossa paciência?)

3º "O Tempora! O mores!"
(Oh, tempos! Oh, costumes!)

4º "Ridendo castgat mores"
(A rir se criticam os costumes)

5º "Carpe diem"
(Aproveita o dia)

6º "Delenda Carthago!"
(É preciso destruir Cartago!)

7º "Tu cuoque"
(Até tu Brutus?)

8º "Veni,vidi,vici"
(Cheguei, vi e venci)

9º "Alea jacta est!"
(Está lançada a sorte)

10º "Vae vicits"
(Ai dos vencidos)

9/19/2007

Os dias claros de Setembro à beira-mar

Fim de tarde num dia cheio de bruma e calor,
Procurando um lugar que descanse as horas de trabalho
Que tem decorrido
Nada mais adequado que um café à beira-mar
Numa cidade encantada
Espraiada na claridade da bruma
E no sentir duma chávena de café
E no olhos da companhia
Castanhos ou verdes da cor das ondas
Mesmo quando enroladas e suavizadas
No estretor do verão